Antropónimos seta LANÇAROTE

Lançarote (de Freitas). Era almoxarife do rei da vila de Lagos e era, segundo Zurara, escudeiro e tinha sido «criado de moço na câmara do Infante». Ao tempo da sua primeira viagem já era casado. Em 1444, recebeu licença do infante D. Henrique para com outros moradores de Lagos, armar uma frota de seis caravelas, da qual seria capitão-mor, seguindo para a costa de Arguim, onde se realizou até então a maior captura de escravos, segundo Zurara, 235 cativos. Quando regressou ao Reino o Infante nomeou-o cavaleiro. Em 1445, comandou a maior expedição a África, constituída por pelos menos 26 caravelas e uma fusta, a maior parte de Lagos (armados pelo próprio Lançarote, juntamente com os juízes, alcaides e oficiais da vereação de Lagos), mas também de Lisboa e da ilha da Madeira, que tinha como missão vingar a morte de Gonçalo Sintra, em 1444, na ilha de Tider. Segundo o seu próprio argumento, descrito na pena de Zurara, as populações desta ilha podiam constituir perigo para as navegações portuguesas. Para lá da evocação da estratégia militar e de navegação, esta missão tinha uma componente comercial que não pode ser descurada, baseada sobretudo na captura de escravos. Entre os vários capitães da expedição encontrava-se o sogro de Lançarote, Soeiro da Costa, ex-alcaide de Lagos. Depois da tomada da ilha de Tider Lançarote, seguindo as ordens do Infante, prescindiu do comando dando liberdade aos comandantes para fazer o que bem entendessem. As caravelas pequenas regressaram a Portugal, mas o capitão Gomes Pires decidiu seguir viagem para recolher informações sobre a «terra dos negros» e sobre o Nilo, que na época se pensava situar-se nessa região. Lançarote mais três capitães decidiram acompanhar Gomes Pires navegando até ao rio Senegal e depois para Cabo Verde.

Bibliografia:
CORTESÃO, Armando, Subsídios para a História do Descobrimento da Guiné e Cabo Verde, Lisboa, 1931. ZURARA, Gomes Eanes de, Crónica dos feitos notáveis que se passaram na conquista de Guiné por mandado do infante D. Henrique, 2 vols., Lisboa, Academia Portuguesa de História, 1981. Paulo Nascimento, “Lançarote”, in Dicionário de História dos Descobrimento Portugueses, vol. II, Caminho, Lisboa, 1994, pp. 584-585.

Autor: Teresa Lacerda


Artigo patrocinado por: Câmara Municipal de Lagos