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      Sessão de abertura da Universidade Feminista teve o feminismo no centro das atenções


 

Os oradores da sessão de abertura da Universidade Feminista
  A sessão de abertura da Universidade Feminista, uma conferência focada no feminismo que iniciará um conjunto de debates sobre o mesmo tema, teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian. Ideias como “o feminismo salvou a minha vida”, frase proferida por Maria do Mar Pereira, e “temos de pensar a um nível maior e global”, por Lynne Seagle, ganharam destaque perante um público apaixonado pela temática.

O feminismo foi o foco de todos discursos, nas vozes de Lynne Seagle, professora de Estudos de Género em Birkbeck, na Universidade de Londres, António Sampaio da Nóvoa, ex-reitor da Universidade de Lisboa, e Maria do Mar Pereira, investigadora em Estudos sobre as Mulheres, de Género e Feministas. Manuela Tavares, investigadora em Estudos sobre as Mulheres, participante da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) e pertencente à comissão organizadora da Universidade Feminista, que se iniciou assim no dia 11 de Outubro com esta sessão de abertura, apresentou estes três oradores e mediou as perguntas feitas a Lynne Seagle após a sua intervenção.

Lynne Seagle foi assim a primeira oradora. Académica e formada em psicologia, começou por recuar na história até ao momento em que a própria se iniciou nos movimentos feministas. Mencionou a revolução portuguesa, momento em que a sensação de liberdade que se vivia fazia parecer que tudo era possível e alcançável, e os anos 60 e 70 como época da libertação da mulher, altura em que o feminismo ganhou uma grande união em torno de objectivos gerais. Referiu o declínio que se sentiu no feminismo após essa época e apelou a uma nova união em torno de objectivos colectivos, deixando no ar a frase “we have to think bigger and global”.

António Sampaio da Nóvoa indicou uma linha de pensamento muito própria, ao associar os valores defendidos pela iniciativa da Universidade Feminista com os da República. Contudo, salvaguardou as diferenças ao substituir os valores tradicionais de liberdade, igualdade e fraternidade, por liberdade, diversidade e fraternidade, explicando cada um em pormenor, de acordo com o seu ponto de vista. Apelou ainda ao espírito crítico e louvou a iniciativa por permitir a abertura de horizontes e perspectivas.

Já Maria do Mar Pereira falou de como se apaixonou pelos estudos feministas e como os mesmos lhe mudaram a vida, afirmando até que “o feminismo salvou a minha vida”. Através de citações de terceiros sublinhou a importância do feminismo nos dias de hoje, dizendo que “o feminismo mudou o mundo e o mundo mudou o feminismo”. Terminou salientando a relevância de uma iniciativa como a Universidade Feminista, por ser um espaço alternativo de pensamento e permitir que o feminismo continue activo.

Este é um projecto em que a reflexão, a crítica e a troca de conhecimentos estão na ordem do dia. A ideia surgiu após um grupo de alunas do primeiro Mestrado em Estudos sobre as Mulheres, da Universidade Aberta, ter entrado em contacto com o Centro de Cultura e Intervenção Feminista (CCIF), de modo a dar visibilidade e expansão a este tema. A UMAR é a entidade promotora desta iniciativa, que conta ainda com o apoio de outras associações nesta área. A Universidade Feminista foi estruturada para dois anos, numa experiência que contará com diversos workshops, seminários e mesmo ciclos de debate, mas prevê-se que se possa tornar num projecto muito mais desenvolvido e prolongado.

     
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Cíntia Costa
cintiatcosta@hotmail.com