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Com a casa às costas

A ideia de criar a Associação dos Familiares e Amigos dos Anorécticos e Bulímicos (AFAAB) partiu de Daniel Sampaio, Dulce Bouça e Isabel do Carmo, médicos da Consulta de Doenças do Comportamento Alimentar (DCA), no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Os pais e familiares acolheram com agrado a iniciativa, contribuindo para a sua concretização no dia 19 de Maio de 1998.

Esta associação sem fins lucrativos tem como objectivos dar apoio e defender os direitos dos doentes com anorexia e bulimia, através do encaminhamento às consultas de DCA e do aconselhamento às famílias. Nestes dois anos de existência, a AFAAB tem desenvolvido sobretudo acções de informação e prevenção, desempenhando um papel importante para o conhecimento da doença.

Segundo Fátima Ferreira, que faz parte da comissão instaladora da AFAAB, ainda há pais que nunca ouviram falar da doença e não sabem onde se devem dirigir. Fátima Ferreira também não conhecia a doença quando descobriu que o seu filho sofria de anorexia, acerca de 6 anos. Na altura a doença estava menos divulgada do que está hoje. Aquilo que a motivou a integrar a AFAAB foi a possibilidade de orientar os familiares dos doentes e de trocar as experiências vividas. "A associação deu um alento aos familiares de pessoas com anorexia e bulimia", diz. É esta sensação de missão a cumprir que a faz prosseguir na ajuda àqueles que se deparam com a doença.

Mas a AFAAB ainda tem algumas lacunas em termos de organização: não tem sede, as famílias apenas podem contactar a associação através do apartado, ou então por telefone de Lisboa e do Porto e continua com a comissão instaladora inicial. Os seis membros que integram a comissão instaladora apenas se podem dedicar às tarefas da associação no período pós-laboral, pois todos têm os seus empregos. "Por vezes é complicado conciliar as duas coisas", confessa Fátima Ferreira.

Quando se fala em projectos futuros a sua resposta é pronta:. "É necessário fazer eleições, arranjar um espaço porque não podemos andar sempre com a casa às costas. E continuar acções de divulgação para alertar sobre os perigos e as consequências que podem ter as duas doenças".